Na minha infância ser criança era o hit do momento. A Rota (PM) estava sempre em vigília e nossos pais não tinham medo de nos deixar brincar na rua.
Na minha rua havia uma molecada danada. Éramos: eu, Sheldra, Lô, Shirley, Shel, Tati, Day, Rosemeire, Fabi, Gi, Gislene, Paulinha, Alessandra, Alexandre, Índio, Marília, Eiji, Beto, Wilson, Vandeir etc...vixe, tinha criança pra caramba e todos nós brincávamos e brigávamos juntos.
Quando a turma se reunia era uma bagunça só e aí, vinham avós, mães e tias gritando: "Não joguem bola na minha porta!", "Olha a gritaria!", "Não fiquem no meio da rua!". Mas, pensem comigo...criança escuta alguma coisa quando está se divertindo? De jeito nenhum!
Brincávamos como se aquele fosse o último dia de férias, mas não precisávamos estar em férias para brincarmos. Era de noite, após a escola ou aos finais de semana. Quando tinha um tempinho, lá estávamos nós correndo nas brincadeiras de "Pega-pega", "Esconde-esconde", "Queimada" e "Mãe da Rua".
E imaginação era o que não nos faltava. Minhas amigas e eu brincávamos muito de "casinha". Pegávamos nossas "Barbies", "Susies" e qualquer outra boneca que tivéssemos e montávamos as casas dela, mas, detalhe...não tinhámos móveis de verdade e daí, tudo era improvisado: caixinha de fósforo era a TV, caixa de remédio vazia era o sofá, um livro grande era a cama e uma bacia cheia de água era a piscina. E na nossa cabeça era a casa mais linda e luxuosa que existia. As comidas eram feitas com as plantas (flores e folhas) da minha avó (ela ficava doida comigo!). Sempre quis ter a casa da "Barbie", o carro e todas as tralhas que ela tem, mas não tive. Nem por isso deixei de curtir cada minuto.
Quando não brincávamos de bonecas, fazíamos espuma com sabão, colocávamos pó de giz colorido (de escrever em lousa) em cima e vendíamos para os meninos como se fossem SORVETES, rs. Era muito engraçado, todos entravam na brincadeira. Também brincávamos de "Passa anel", "Pera, uva, maçã ou salada mista", massinhas de modelar, colecionávamos papéis de carta, álbum de figurinhas, e um montão de outras coisas. Os anos 80 e 90 foram perfeitos, do jeito que já escrevi aqui.
Outra coisa legal era escorregar no quintal do Lô com um pedaço velho de carpete. A mãe dele (tia Diana), encerava o quintal todo, que era de lajota vermelha, e daí pegávamos o carpete, dávamos impulso e iupiii, escorregávamos até bater no portão.
Nos dias quentes tinham as guerras de bexiga d´água ou banhos de mangueira. E não posso deixar de falar dos meninos empinando pipas por horas a fio, ou brincando de pião, bolinha de gude, "Comandos em Ação" e futebol.
Acidentes aconteciam, como na vez que todos brincavam de "Pular mula" e a Gisele caiu e bateu o rosto no chão. Foi uma correria só, mas ela ficou bem depois de uns dias.
Eu mesma me machuquei muito. Certa vez fui passar um final de semana na casa da minha madrinha em São José dos Campos e no mesmo dia consegui ralar os dois joelhos, os dois cotovelos, um pé e uma mão. Como? Caí de bicicleta, depois caí de skate, de patinete e de patins. Pois é, nunca fui esportista!
E agora lembrei mais uma arte dessa que vos fala: Missão Perigosa! Estava no sítio do meu avô e com mais alguns coleguinhas, resolvemos brincar de missão perigosa, sabe o que era? Andávamos em cima de muros, pulávamos de um muro pra outro, ou seja, tudo que era perigoso. E eu, como sempre fui fofa, inventei de me pendurar em um chuveiro e "Plaft", caí com o chuveiro e tudo. Claro que levei uma baita bronca, mas tudo bem, tinha cumprido minha missão, rs.
Aliás, o sítio do meu avô faz parte da minha vida. Aprendi a nadar lá, na piscina que meu avô fez para MIM (eu mandava todo mundo sair de dentro, rs). Ganhei minha primeira bicicleta do Papai Noel, como já contei aqui, em dos Natais que passei lá. E pra mim, será sempre um lugar inesquecível, pois passei minha infância em meio a muito verde e brincadeiras gostosas naquele lugar.
Em dias de chuva, quando não dava para brincar na rua e nem no quintal, a televisão nos fazia companhia. Assisti muito desenho animado como: Scooby Doo, Ursinhos Carinhosos, Punk, Cavalo de Fogo e muitos outros que várias crianças nem imaginam que existiram. Adorava assistir "Mundo da Lua" - "_Essa é mais uma missão, do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do mundo da Lua, onde tudo pode acontecer...", "Rá-Tim-Bum", "Mundo de Beakman" e outros da minha época. Era muito gostoso tudo isso.
Enfim, na minha opinião infância é isso.
É brincar muito, de tudo que a imaginação mandar. Brincadeira é o que não falta.
Mas a infância de hoje é estranha. Crianças não querem ser crianças, querem ser adolescentes ou adultos precoces. Querem usar maquiagem forte e salto alto, coisa que EU só fui usar após os 15 anos, rs. Os dias atuais não são iguais aos de antigamente, entendo, e nem precisam ser, mas os valores familiares estão se perdendo em meio a tanta modernidade.
Hoje vejo crianças paradas em frente a um computador por horas em um dia ensolarado, quando poderiam estar brincando de tudo e mais um pouco. Sei que a segurança não é mais a mesma de antigamente e que cada vez há menos espaço nas casas para as crianças ficarem livres. Mas, como já disse, a imaginação nos leva para qualquer lugar, é só tentar.
FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!
(para crianças e para aqueles que não deixam morrer a criança dentro de si)
bjocas e até +
Segue aqui o link da blogueira que sugeriu a blogagem coletiva de hoje. Lá vocês verão os links de outros blogs que estão participando. Acesse: DesConstruindo a Mãe.





Oi Priscila,
ResponderExcluirque delícia de infância. Que delícia de recordações.
Eu também brincava muito na rua com uma criançada danada. ALiás, tenhos muitos amigos de infância que permanecem até hoje.
O que é mãe de rua? Aqui no Rio deve ter outro nome. Um monte de gente tá dizendo que brincava disso. Fiquei curiosa.
Eu só vou poder colocar a minha participação amanha apsar do post já estar prontinho. É que hoje estou no blog da Nestlé. Enquanto isso estou revivendo a minha infância nos posts dos participantes.
Adorei o seu relato.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/
Priscila, vou te dizer: a tua frase inicial já abalou, adorei! Era o hit do momento. Não tinha nada melhor do que ser criança, não é mesmo?!
ResponderExcluirA alegria de ser criança era diferente, não tão associada ao consumo talvez, porque nem tínhamos tanta oferta, ou a publicidade nem fosse tão violentamente dirigida às crianças. Quem sabe, os pais também soubessem dar melhor os limites, sem culpa e sem preocupação de que causaria traumas futuros.
Muitas vezes os adultos tentam substituir sua ausência ou desinteresse comprando as crianças... Aí vejo problemas. Crianças precisam brincar! Não apenas com computador, mas com sua família e fazer amigos!
Nossa, me empolguei, heheheh, isso não é pra virar outro post!
Gostei demais do teu, é isso!
Beijo, obrigada pela tua participação!
Ingrid
Nossa, fiquei cansada só de ler! Quanta brincadeira, quanta diversão! Uma pena que nossas crianças não queiram e nem achem divertido as nossas brincadeiras, mas fazer o que, cada tempo tem as suas características e a deles é essa.
ResponderExcluirBjks
Hello, Priscila Trevine - Eclétik@.
ResponderExcluirThe graceful sense wraps your artworks.
It's excellent and lovely...
The season of colored leaves, heartwarming atmosphere.
The traditional celebration, kimono infants.
The prayer for all peace.
Greetings.
From Japan, ruma ❀